“Grandes Esperanças” – Charles Dickens

Aqui você encontra todos os textos sobre a obra em questão:

Nota de Início – Impressões e considerações pré-leitura.

Nota de Conclusão – Impressões e considerações pós-leitura.

Relatório de Leitura – Um diário de leitura, com as dificuldades e particularidades da leitura de cada livro. O meu dia-a-dia com o livro e com a experiência de sua leitura.

Guia de Leitura – Dicas para facilitar a leitura, o entendimento da trama, e a melhor assimilação da obra.

“Berlin Alexanderplatz” – Nota de Conclusão

BERLIN ALEXANDERPLATZ, Gunter Lamprecht, Franz Buchreiser, Elisabeth Trissenaar, 1980

 

Terminei.  Demorei algumas semanas para escrever sobre esta obra, pois creio que ainda o digeria.

Ele foi intenso, foi triste, foi forte. Se eu fosse resumí-lo  em uma palavra seria : “melancolia”. Não apenas pelo peso da história do livro, mas da minha própria. Neste momento da vida, estando acamada, o drama de Franz me tocou de forma diferente da qual teria tocado se eu estivesse saudável.

Não vou mentir, foi complexo me relacionar com este livro. Penso até que deveria ter optado por uma leitura mais leve, dada a minha atual situação, mas resolvi encarar o desafio e acabei me olhando no espelho.  Vislumbrei minhas próprias limitações e angústias. Me identifiquei com Biberkopf.

A pior parte, penso ter sido a crise de fé a qual a obra inevitavelmente induz o leitor quando atrela a história ao drama do “Livro de Jó”. Não se engane: você vai se questionar, você vai ficar impaciente e vai se remoer.  Afinal de contas, é impossível não questionar a fé quando diante da dor e do sofrimento.

No que tange a religião, é oportuno lembrar que o autor  nasceu judeu e posteriormente converteu-se ao cristianismo, o que acrescenta à obra uma outra dimensão quando lembramos que o texto sagrado ao qual se refere é comum a ambas as religiões.

Apesar da nota de sabor triste que deixou em mim, “Berlin Alexanderplatz” foi divino, foi doloroso e sobretudo libertador.

“Berlin Alexanderplatz” – Alfred Döblin

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“Livro do Desassossego” – Nota de Conclusão

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Acabou. Ou não?  Explico: o mergulho proposto por Pessoa deixa marcas indeléveis na nossa forma de perceber o mundo. Uma chuva caindo ao final da tarde, não é apenas “uma chuva caindo no final da tarde”, ela passa a ser também todas as sensações que evoca. Tudo isto graças ao caráter extremamente sensível de Fernando Pessoa, o qual nos convida a uma espécie de reflexão amorosa sobre o ato de desfrutar a experiência da existência.

Há sempre um algo mais. E esta ânsia por este algo mais, por esta sensação, por esta emoção e por este sentido, não seria de certa forma o próprio motor propulsório de toda a criação do intelecto? De todo o seu expirar e respirar? Neste sentido, Pessoa quis insinuar de forma sutil, que todos os momentos são importantes, sem restrição, e que todos eles nos comunicam algo que pode à partir de uma elaboração mais cuidadosa nos fazer chegar as profundas e misteriosas verdades que cercam o existir

Isto me fez chegar a uma epifânia. A de que de certa forma este blog também é o meu “Livro do desassossego” pessoal. Minha busca por um sentido mais profundo através das sensações que todas estas obras me trazem. Foi mais do que uma leitura, foi uma revelação.

blog

“Livro do Desassossego” – Fernando Pessoa

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Nota de Conclusão – Impressões e considerações pós-leitura.

Relatório de Leitura – Um diário de leitura, com as dificuldades e particularidades da leitura de cada livro. O meu dia-a-dia com o livro e com a experiência de sua leitura.

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“Livro do Desassossego” – Nota de Início

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Desde que entrei na sexta série, morro de vontade de ler este livro! Tive um professor de literatura que era louco (alucinado mesmo!) por Fernando Pessoa. Ele sempre falava dos heterônimos, da genialidade e de como uma só vida não podia abarcar toda a complexidade e riqueza daquele ser.

Falava também do fato de o bardo muitas vezes escrever em pé, tamanha a volúpia mental e emocional que o acometia quando se dedicava poesia. Ele era poeta e nutria um amor profundo pelo ofício, portanto, às vezes, ao falar de Pessoa faltava-lhe ar.

Ele falava com tanta paixão, com tanta certeza, que esta mesma se derramava e nos contaminava a todos a cada uma de suas aulas. Ansiávamos por elas.

Penso ser melhor assim: é necessário um poeta e escritor, para dar aula de literatura! Alguém que encare a matéria, não como matéria, mas como objetivo de vida. O mesmo se aplica às demais.

Apesar de muito fã de “Mensagem”, ele um dia nos falou sobre o “Livro do Desassossego”. De como Pessoa havia escrito um livro sobre a existência. Sobre aquilo que acontece entre os eventos, aqueles espaços de iminência aos quais não damos tanta bola.

Existe uma riqueza incalculável naqueles momentos que só você desfruta.  Um pôr-do-sol, uma vista bela (ou não), um som, uma sensação, um pequeno estado de lucidez que te proporciona a prosaicalidade da sua vida.  E você mesmo pensa: Poxa! Poderia escrever sobre isso! Só que não há uma história… é só um momento! E mesmo na impossibilidade de traduzi-lo em um registro coerente, todos vemos a preciosidade dessas horas.

Não é o milagre do acontecimento da vida que o detinha nesse livro, é o desassossego que germina entre um episódio e outro, estes espaços, essa incoerência da essência, que de tão pura contagia à todos. Mal posso esperar para ler!

Próxima descoberta: “Livro do Desassossego”.