“A morte de Ivan Ilitch” – Liev Tolstói

Aqui você encontra todos os textos sobre a obra em questão:

Nota de Início – Impressões e considerações pré-leitura.

Nota de Conclusão – Impressões e considerações pós-leitura.

Relatório de Leitura – Um diário de leitura, com as dificuldades e particularidades da leitura de cada livro. O meu dia-a-dia com o livro e com a experiência de sua leitura.

Guia de Leitura – Dicas para facilitar a leitura, o entendimento da trama, e a melhor assimilação da obra.

“A morte de Ivan Ilitch” – Nota de Conclusão

A imagem veio daqui.

Lido.

Enfim, a primeira coisa que eu posso dizer sobre o livro, foi que não me identifiquei com o protagonista. Sou diferente de Ivan Ilich, não faria as escolhas que ele fez.

Inclusive para mim foi difícil internalizar o conflito do personagem, conseguir entender a leveza das suas atitudes, de certa forma, ele me irritou um pouco.

Fora isso, o texto de Tolstói é ótimo. A habilidade dele de dar profundidade à cena e construir diferentes camadas a cada passagem é fantástica.

Não tive problemas em ler o livro, que, diga-se de passagem, é bem pequeno. Tolstói foi direto ao ponto e não enrolou. A velocidade de leitura correu a contento. Fiquei satisfeita com a estrutura e o desenrolar da história. O livro é uma jóia. É curto, valioso, e esteticamente interessante. Gostei da proposta e da desenvoltura do autor ao trabalhá-la.

“A morte de Ivan Ilitch” – Nota de Início

Antes de qualquer coisa vale fazer uma ressalva: o livro mencionado na lista do The Guardian/Clube do Livro da Noruega possui uma constituição diferente das disponíveis no Brasil. Naquele volume ele inclui vários contos alguns pouco publicados no Brasil. Portanto, se você espera ler o mesmo exemplar, desista. Para termos idéia do conteúdo eleito como essencial pelo júri, é necessária uma gambiarra. Primeiro saber os contos, ver o que existe disponível no Brasil e depois procurar o que falta pela internet.

Pretendo fazer uso do site Domínio Público, que dispõem de todos os itens. O ponto negativo é que as obras estão em inglês, mas de fato não encontrei outra saída. Quanto à parte dos contos, confesso que não sou uma conhecedora profunda dessa parte da obra de Tolstói, e pelo levantamento que já fiz, desconheço uma boa parte deles. Estou louca para conhecer!

Já o carro-chefe, “A morte de Ivan Ilich”, já o li na época de faculdade, por isso não chega a ser uma novidade. Posso dizer que é um livro curto. Lembro de tê-lo lido com facilidade, mas como passaram-se muitos anos, existem lacunas abertas, e assim como com “Ana Karenina”, quero saber se o livro que eu lembro, é o mesmo que eu li.

Minhas conclusões vão ser as mesmas? Minhas passagens favoritas também? O que a memória fez questão de esquecer? E o mais importante: o que permanece vivo em mim, pois ela fez questão de guardar?

Tolstói e o ponto de vista canino.

A sensibilidade de Tolstói é notória, bem como seu amor pela vida no interior, pelo contato e harmonia com a natureza. Tanto o é que não surpreende a sua decisão em mudar para o campo. Optar por uma vida simples, sem o glamour de grande escritor reconhecido e aclamado, e acabar por ser um dos inspiradores do movimento de não violência.

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Algumas passagens de sua vida são pouco conhecidas. Antes de escrever “Ana Karenina”, em 1866, ele fundou uma escola no campo, a fim de atender às crianças das redondezas. Aplicou teorias educacionais diferentes das de então, sendo influenciado por Russeau.

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Tolstoi e crianças/ Fonte da imagem

Nesta época escreveu para os filhos de camponeses que frequentavam sua escola, diversos contos que incorporou às leituras escolares. Entre as melhores histórias estavam as sobre seus cães, Bulka e Milton (Se tiver curiosidade, você pode conferir “As histórias de Bulka”, livro lançado há alguns anos pela editora 34). Essa semente, essa percepção da vivência animal, não pára por aí e aprimora-se com os anos.

Passa despercebido na maioria das resenhas e comentários que escuto de “Ana Karenina”, um capítulo do romance em que Tolstói altera o foco da ação, e os personagens na caçada cedem lugar a Laska, a cachorra de Liêvin que ganha destaque.

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Edição brasileira de “Histórias de Bulka”.

Os humanos estão lá, mas num segundo plano sem graça, e o que vemos durante estas páginas é a vida interior do cachorro. Seus raciocínios, pensamentos e sufocos em comunicar-se com seu dono. Ajudá-lo a entender as suas orientações e conselhos para uma empreitada bem sucedida.

Laska está nervosa, Laska discorda, Laska manipula, Laska critica. Laska é um personagem tão importante quanto qualquer outro.

É uma surpresa grata em meio à leitura, essa presença canina. Mais sensível, significativa, e rica do que todos easter egs, das Dineys, Pixar e Dreamworks da vida.

“Eneida” – Virgílio

Aqui você encontra todos os textos sobre a obra em questão:

Nota de Início – Impressões e considerações pré-leitura.

Nota de Conclusão – Impressões e considerações pós-leitura.

Relatório de Leitura – Um diário de leitura, com as dificuldades e particularidades da leitura de cada livro. O meu dia-a-dia com o livro e com a experiência de sua leitura.

Guia de Leitura – Dicas para facilitar a leitura, o entendimento da trama, e a melhor assimilação da obra.

“A Educação Sentimental” – Relatório de Leitura

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“No Moulin Rouge” – Henri de Toulouse-Lautrec

Outro livro difícil de encontrar, e nem ao menos a Biblioteca Pública dispunha de um exemplar. Como o blog ainda estava no início, eu não queria sair muito da ordem da lista, portanto, me pus a pesquisar possibilidades. Encontrei o livro à venda por R$ 29,79, em uma única livraria da cidade. Verifiquei e o preço online (Não inclusa a taxa de envio) era rigorosamente o mesmo. Liguei para um sebo, que para variar não dispunha do exemplar, entretanto o dono me deu uma dica. Um endereço online. Um cadastro de sebos.

Fui ligando de um em um. Na terceira tentativa, a senhora que me atendeu disse que acessaria o cadastro dos sebos. Eu disse que foi assim que a encontrei, pelo cadastro da internet e ela me esclareceu que alguns sebos, estão ligados a uma espécie de rede de localização de títulos. Ela realizou uma busca e encontrou um sebo (grande e no centro da cidade) que possuía um exemplar cadastrado. Aconselhou-me a ligar antes e confirmar. Assim fiz.

Ao chegar lá e conversar com a garota que falou comigo e confirmou pelo telefone, descobri que ele não estava na estante. Ela fez outra busca no computador que registrou a presença do danadinho na loja. Concluiu que deveria estar no estoque e esperei no caixa, enquanto uma fila desenvolveu-se atrás de mim. Ouvi alguns murmúrios. Poucos instantes depois ela volta com o dito cujo na mão. “Nossa este livro deve estar aqui há muito tempo. Para estar escondidinho assim no estoque, ninguém nunca deve ter procurado…”

Comprei-o por cerca de metade do preço de um exemplar novo, exatamente R$ 15,00. Uma edição muito bela. Vermelha, capa dura, letras em dourado. Possuía um único defeito, uma rasurinha mínima na capa, como se ela tivesse sido dobrada para frente e para dentro. Mesmo com a vocação para contorcionista da capa, segui feliz para casa.

O livro é denso, descobri que a velocidade de leitura nem sempre corria a contento, eu acabava voltando um parágrafo inteiro porque perdia o fio à meada. Foi quando decidi ler somente à noite, e deste momento em diante a leitura correu a contento. No silêncio do sono da cidade ele se abriu em toda sua fluidez.

Devo dizer que não esperava nem esta história, nem este contexto e muito menos esta trama para uma obra posterior a “Madame Bovary”. Como não fiz nenhuma pesquisa prévia, o livro foi inteiramente uma surpresa para mim. Às vezes penso ser essa a melhor política, você ler algo sem ter idéia do que se trata. Deixar-se surpreender e cativar.

Enquanto lia, o livro me atraiu mais pelo estilo do texto do que pela história em si. Isso durou até o momento em que o terminei. Qual não foi a minha surpresa, com a melancolia que invadiu o meu coração. Lembrei de tantos momentos de minha vida. Fiquei brava! Como se o livro tivesse tomado algo de mim. Releguei-o irreconciliável ao exílio da cômoda, disposta a ser muito ferina com ele.

Passados dois dias, percebi que ele me feriu por falar de coisas que ainda eram muito fortes em mim. Que a bronca não era com o livro, era comigo mesma. E tendo feito esta descoberta não a poderia ignorar, foi neste momento em que o livro cumpriu sua tarefa. Mostrou à sua maneira o que na minha vida não passava de ilusão. Ele não me feriu, ele me curou, e reconciliados escrevemos juntos os posts do blog. Eu e o livro. Eu e Flaubert.