“Eneida” – Nota de Conclusão

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Foi melhor do que eu esperava e atendeu a todas as minhas expectativas. O livro mais importante sobre a história do ocidente, pois se você pensar em “Odisséia” e “Ilíada” vemos a civilização grega em profundidade, mas em “Eneida” vemos outros povos importantes para a formação ocidental, e o que acontece é o êxtase e a indicação de que o ocidente nasceu de uma inequívoca vocação de perpetuar apenas o que no velho mundo era tido como grande.

Vemos a referencia aos gregos e troianos, como os responsáveis por dois dos três pilares que formam o ocidente. A saber: A filosofia grega, e o direito romano. Embora tenha consultado alguns livros e uma dezena de entendidos a relação entre Tróia e o direito romano permaneceu obtusa. Virgílio faz uma menção ao fato de troianos serem o povo das leis, mas não encontrei uma referência exata sobre isso no direito romano. Os autores endossam Tróia como influência na formação da cultura romana.

O ocidente foi primordialmente um refúgio. Uma terra nova, onde se construiria um novo mundo, reunindo povos e nações. Conflitos sucederam-se nessa formação, mas o importante é que o nosso legado tornou-se uma mistura muito rica da qual brotaram frutos prósperos.

É uma delícia ouvi-los falar sobre o latim e valorizá-lo, assim como é aconchegante ver semelhanças culturais em uma narrativa tão longínqua. Eneida foi um impacto de cima a baixo. Emocionou-me, chorei e contorci de exasperação. Identifiquei-me com tudo e o que mais me espantou foi o quanto aquelas pessoas pareciam comigo. O quanto à herança latina é forte e especial. A importância de manter o elo com essa lembrança, com essas pessoas e com essa história. Eles estavam certos em reverenciar o passado. Talvez nossa cultura tenha vocação para ser um Humbert Humbert desgraçado e eternamente encantado com uma Lolita que não só nunca se enamorou dele, como era sufocada e vilipendiada a cada momento vivido junto. Quando Nabokov escreveu Lolita, a maioria dos críticos disse que se tratava de uma crítica a mania americana de idolatrar o novo. Eu acho que essa crítica compete a todo o mundo ocidental atual.

É triste ver para onde nossa cultura caminha e a pouca importância do sacrifício voluntário ou não dos povos que nos antecederam para que bem ou mal desfrutássemos de uma estrutura que exalasse o mínimo de justiça, liberdade e inteligência. Amar também é conhecer. E nós? O que temos feito desse legado?

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