“A Educação Sentimental” – Guia de leitura

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Flaubert adiantou-se e escreveu uma obra que trata de todos os nossos problemas afetivos, ou para ser mais exata, o conflito entre a alma romântica (seus anseios idealistas na busca do parceiro) e o mundo moderno, com toda a sua racionalidade, instantaneidade e descompromisso com o amor romântico.

A sociedade, ali, já não comporta o herói romântico e mesmo esse, não tem problemas em abrir mão de seus ideais elevados para “realizar seus sonhos”, leia-se: conseguir êxito na vida. E quando o fazem, escorregam, erram a mão e acabam atropelados pela realidade, pautada na praticidade dos interesses rasos. Os revolucionários, os arautos do saber, os liberais e os conservadores. Todos ainda possuem o mesmo discurso de tons idealistas de outrora, enquanto isso a realidade que os cerca é destruidora, sem sobrar nada para ninguém.

Desculpe-me Proust, mas o título desta obra deveria ser “Adeus às ilusões”, já que tudo se transforma em pó e até mesmo o amor decepciona. Fica fora de compasso, um estranho que não pode germinar em solo infértil.

Neste “A Educação Sentimental” todos os ideais românticos perdem consistência, e se tornam ilusões, mas como é Flaubert, isso é feito com maestria, tecido com capricho e disposto na obra com a mesma perícia de um mestre confeiteiro derramando a cobertura por sobre a torta. Este é um livro para se ler com calma, com atenção às implicações da trama e à vida interior dos personagens, pois aí reside o seu filet mignon.

Este é um livro relativamente fácil de ler quanto à estrutura do texto, contudo, em sua trama, possui elementos que podem dificultar a sua assimilação. A narrativa tem como pano de fundo a Revolução de 1848 na França e os períodos que a antecederam e sucederam.

De certa forma, através das ações dos personagens que a compõem, a obra desmonta a visão heroica que a descreve na maioria dos livros de história. Portanto, recomendo a leitura de textos sobre a Revolução, para compreender a dinâmica entre os personagens. (Não citarei nenhum texto em específico, ou fonte bibliográfica, esta parte deixo à cargo do freguês, mas postarei material complementar mais adiante). Sem isso, você corre o risco de ficar perdido em alguns pontos, ou ainda pode perder toda a ironia de Flaubert sobre o assunto. Neste caso, convenhamos, Flaubert com reservas não é Flaubert.

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